A temporada de furacões do Atlântico, que costuma atingir seu pico justamente na primeira quinzena de setembro, passa por um momento incomum: silêncio total. Segundo dados dos centros de monitoramento dos Estados Unidos, não há atualmente nenhuma depressão tropical, tempestade nomeada ou furacão ativo em toda a bacia. O fenômeno é atribuído ao El Niño, que neste ano tem se mostrado particularmente forte na supressão de ciclones tropicais.

Apenas a terceira vez desde 1950

Registros confiáveis mostram que, desde pelo menos 1950, esta é apenas a terceira vez que o Atlântico fica completamente quieto durante a semana centrada em 10 de setembro — data que marca o pico climatológico da temporada. As outras duas ocasiões ocorreram em 1962 e 2013, ambas em anos de El Niño moderado a forte.

Para quem vive na Flórida, na Geórgia, nas Carolinas e em outros estados da Costa Leste, a calmaria representa uma trégua rara. Brasileiros que moram em áreas como Miami, Orlando, Fort Lauderdale, Tampa e Jacksonville, historicamente afetadas por furacões em setembro, podem respirar aliviados neste momento. O El Niño cria cisalhamento do vento (diferença de velocidade e direção dos ventos em diferentes altitudes) que despedaça as tempestades em formação antes que ganhem força.

El Niño como escudo natural

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) já havia previsto, no início da temporada, que o El Niño tornaria 2023 menos ativo que o normal no Atlântico. O que surpreende é a ausência completa de atividade justamente no período historicamente mais perigoso. Em anos de El Niño, a atmosfera sobre o oceano se torna hostil ao desenvolvimento de furacões, pois os ventos de alta altitude cortam o topo das nuvens e impedem que os sistemas se organizem.

Isso não significa, porém, que a temporada acabou. O pico oficial vai até meados de outubro, e o El Niño pode enfraquecer nas próximas semanas, deixando espaço para formações tardias. Mas, por enquanto, a mensagem para os brasileiros nos EUA é de alívio: nenhuma ameaça imediata no radar.

Como manter a preparação mesmo na calmaria

Especialistas recomendam que, mesmo com o silêncio atual, famílias brasileiras que moram em regiões costeiras não abandonem a rotina de preparação. Furacões podem se formar rapidamente se as condições mudarem, e setembro ainda reserva várias semanas de potencial atividade. Manter um kit de emergência com água, comida não perecível, lanternas e documentos em local de fácil acesso continua sendo uma medida prudente.

Para quem está nos condados mais vulneráveis da Flórida — como Miami-Dade, Broward, Palm Beach e Monroe —, é importante ter um plano de evacuação e saber os canais oficiais de alerta (como o aplicativo FEMA e os avisos do National Hurricane Center). A boa notícia é que, neste exato momento, não há qualquer sistema se aproximando do Golfo do México ou do Atlântico Oeste.

Próximos dias: monitoramento segue ativo

Os meteorologistas da NOAA e do Centro Nacional de Furacões (NHC) continuam monitorando ondas tropicais que saem da costa africana, mas, enquanto o El Niño se mantiver forte, as chances de desenvolvimento permanecem baixas. Alguns modelos de longo prazo indicam que o fenômeno pode começar a perder intensidade apenas em outubro ou novembro, o que significaria um final de temporada mais calmo que o normal.

Para a comunidade brasileira nos Estados Unidos, a situação atual é digna de nota: poder viver o pico da temporada de furacões sem uma única tempestade nomeada é algo que só acontece três vezes em mais de 70 anos. Aproveite a calmaria para revisar seu seguro residencial e atualizar contatos de emergência — mas sem pânico.