Calor extremo coloca 90 milhões em risco
Uma onda de calor implacável está afetando vastas áreas dos Estados Unidos, colocando cerca de 90 milhões de pessoas sob alertas de calor nesta semana. De acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia, as temperaturas devem ultrapassar os 37°C em várias regiões, com sensação térmica ainda maior no Nordeste, Centro-Oeste e Sul do país. A situação é especialmente crítica no Arizona, onde o condado de Maricopa registrou 81 mortes confirmadas relacionadas ao calor até o momento, e mais de 500 óbitos seguem sob investigação, conforme reportagem do CBS News.
Para os brasileiros que vivem nos Estados Unidos, especialmente nos estados da Flórida, Nova York, Nova Jersey e Massachusetts, a mensagem das autoridades é clara: o calor extremo não é apenas desconfortável — é uma emergência de saúde pública. Crianças, idosos, pessoas com doenças crônicas e quem trabalha ao ar livre estão no grupo de maior risco.
Arizona: epicentro da tragédia com 81 mortes confirmadas
O condado de Maricopa, que inclui a cidade de Phoenix, é o mais castigado. As 81 mortes confirmadas representam um aumento drástico em relação aos anos anteriores, e a cifra pode crescer — mais de 500 casos estão sendo investigados como possivelmente relacionados ao calor. Muitas das vítimas são pessoas em situação de rua ou que não tinham acesso a ar-condicionado. Em Phoenix, as temperaturas têm superado 43°C por dias consecutivos, algo que já está sendo chamado de “onda de calor histórica”.
A situação no Arizona serve de alerta para outras regiões. O calor extremo é a principal causa de morte relacionada ao clima nos Estados Unidos, superando furacões, tornados e enchentes combinados. E, com as mudanças climáticas, eventos como este tendem a se tornar mais frequentes e intensos.
Nordeste dos EUA também sob calor opressivo
No Nordeste, cidades como Nova York, Filadélfia, Boston e Washington D.C. estão sob alertas de calor excessivo. As autoridades locais abriram centros de resfriamento e orientam a população a evitar atividades ao ar livre durante o pico do calor, entre 11h e 16h. Em Nova York, a sensação térmica pode chegar a 40°C, com alta umidade, o que dificulta a regulação da temperatura corporal.
Para a comunidade brasileira que vive em Newark, Elizabeth e outras áreas de Nova Jersey, o alerta é ainda mais relevante, pois muitos trabalham em serviços de entrega, construção ou limpeza — profissões que exigem exposição ao sol. A recomendação é hidratar-se constantemente, usar roupas leves e claras, e nunca deixar crianças ou animais dentro de veículos estacionados, mesmo com vidros abertos.
Flórida: calor intenso e risco de tempestades
Na Flórida, onde vivem cerca de 500 mil brasileiros, o calor já é parte da rotina, mas as temperaturas atuais estão acima da média histórica. Condados como Miami-Dade, Broward e Palm Beach estão sob alerta de calor até pelo menos o fim de semana. O Serviço Nacional de Meteorologia emitiu um aviso especial para a região: a combinação de calor extremo com alta umidade pode provocar tempestades repentinas e agravamento da sensação térmica.
Além dos riscos à saúde, o calor extremo sobrecarrega a rede elétrica. Em áreas onde muitos brasileiros moram — como Pompano Beach, Orlando e Tampa — há relatos de apagões localizados. As autoridades recomendam que todos tenham um plano de emergência, incluindo um local com ar-condicionado para onde possam se deslocar caso a energia falhe.
Como se proteger: guia prático contra o calor extremo
- Beba água a cada 20 minutos, mesmo sem sede. Evite bebidas alcoólicas, cafeína e refrigerantes, que desidratam.
- Permaneça em ambientes com ar-condicionado. Se não tiver em casa, vá a shoppings, bibliotecas ou centros de resfriamento públicos.
- Use protetor solar (FPS 30 ou mais) e reaplique a cada duas horas. Queimaduras solares prejudicam a capacidade do corpo de se resfriar.
- Evite atividades físicas ao ar livre entre 11h e 16h. Se precisar trabalhar, faça pausas frequentes em locais com sombra.
- Nunca deixe crianças, idosos ou animais de estimação dentro de carros estacionados — a temperatura interna pode subir para 50°C em minutos.
- Fique atento aos sinais de insolação: pele vermelha e quente, dor de cabeça, tontura, náusea, pulso rápido e confusão mental. Se alguém apresentar esses sintomas, ligue para o 911 imediatamente.
- Verifique se vizinhos idosos ou doentes estão bem. Muitas fatalidades acontecem em casa, com pessoas que não tinham como se refrescar.
O que esperar nos próximos dias
O padrão de calor deve persistir pelo menos até o meio da próxima semana, com possibilidade de recordes históricos em várias cidades. O Serviço Nacional de Meteorologia prevê que a frente de alta pressão responsável pelo calor só se deslocará para o oeste a partir de quinta-feira, trazendo alívio para o Nordeste, mas mantendo temperaturas elevadas no Arizona e no Texas.
Autoridades de saúde pública nos estados afetados estão mobilizando equipes de emergência para atender casos de exaustão térmica. No Arizona, o condado de Maricopa já declarou estado de emergência e abriu abrigos refrigerados para moradores de rua. O governo federal também disponibilizou recursos para assistência médica e distribuição de água.
Para os brasileiros que moram nos EUA, a principal recomendação é acompanhar os alertas locais pelo site do NWS ou por aplicativos como o FEMA. Em caso de emergência, ligue para o 911. E, acima de tudo, não subestime o calor — a prevenção salva vidas.



