O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, desembarca nesta semana no encontro do G20 determinado a unir as maiores economias do mundo contra o Irã. A missão diplomática, no entanto, ocorre em um cenário de tensão provocado pelas próprias políticas americanas: tarifas agressivas sobre grandes aliados e uma guerra contra o Irã que se tornou impopular e mantém os preços da gasolina nas alturas. A informação é da Associated Press, com base em fontes oficiais e análises de mercado.

Tarifas sobre aliados enfraquecem a posição dos EUA no G20

A tentativa de Bessent de formar uma coalizão contra o Irã esbarra em um paradoxo: ao mesmo tempo que pede união, Washington impõe tarifas agressivas sobre parceiros comerciais de longa data, como Canadá, México e União Europeia. Essas medidas, adotadas sob o argumento de proteger a indústria americana, geraram retaliações e um clima de desconfiança entre as nações que agora se sentam à mesa de negociações. Para brasileiros que vivem nos EUA, as tarifas se traduzem em preços mais altos de alimentos, automóveis e materiais de construção, já que muitos desses produtos vêm de países afetados.

Guerra contra o Irã mantém gasolina cara e aperta o bolso

Enquanto Bessent busca aliados no G20, a guerra contra o Irã continua consumindo recursos e elevando o custo dos combustíveis. Segundo a Associated Press, o conflito é descrito como “impopular” e tem impacto direto no preço da gasolina nos postos americanos. Para a comunidade brasileira, que muitas vezes depende do carro para se deslocar ao trabalho ou à escola, cada aumento no litro significa um aperto no orçamento familiar. Em estados como Flórida, Massachusetts e Califórnia, onde vivem grandes concentrações de brasileiros, o impacto é ainda mais sentido.

O que a missão de Bessent significa para brasileiros nos EUA

Se Bessent conseguir algum tipo de acordo no G20, o efeito pode ser de médio prazo na estabilização dos preços do petróleo. No curto prazo, porém, a combinação de tarifas e guerra mantém a inflação elevada. Brasileiros que enviam remessas para o Brasil também sentem o câmbio desfavorável, já que a incerteza geopolítica pressiona o dólar. Além disso, o custo do transporte de mercadorias — muitas importadas do Canadá, México e China — continua subindo, afetando desde a cesta básica até eletrônicos.

Próximos passos: o que esperar após o G20

A expectativa é que Bessent use o palco do G20 para pressionar por sanções mais duras ao Irã, mas a receptividade dependerá de quanto os aliados estão dispostos a ignorar as tarifas americanas. Analistas consultados pela AP acreditam que, sem uma sinalização de alívio nas tarifas, a união contra o Irã será frágil. Enquanto isso, os brasileiros nos EUA devem continuar enfrentando gasolina cara por pelo menos mais alguns meses, até que haja um cessar-fogo ou uma mudança na política tarifária. O Departamento do Tesouro não comentou sobre possíveis negociações bilaterais à margem do encontro.