Pelo segundo ano consecutivo, as escolas públicas de Broward County se preparam para um novo ciclo de fechamentos. Desta vez, a lista inclui 10 escolas – entre elas sete de ensino fundamental e três de ensino médio –, o que pode impactar diretamente milhares de famílias, incluindo muitos brasileiros que vivem na região e têm filhos matriculados na rede pública.
Por que Broward quer fechar escolas?
O distrito enfrenta uma queda acentuada no número de matrículas. Dados divulgados pela superintendência apontam que há 60 mil carteiras vazias nas escolas de Broward, e a perda de alunos no último ano foi de 11 mil – do primeiro dia de aula de 2023 para o primeiro dia de 2024. O superintendente Dr. Howard Hepburn afirmou que manter uma escola com poucos alunos custa mais caro do que o montante gasto com o ensino propriamente dito. “Custa mais para operar uma escola com baixa matrícula do que o dinheiro que gastamos de fato na instrução dos alunos”, disse Hepburn em entrevista após a reunião do conselho escolar.
A queda de matrículas não é um fenômeno isolado. Em todo o país, distritos escolares enfrentam o mesmo problema, inclusive em Miami-Dade e nas escolas charter. Entre os fatores apontados por Hepburn estão a baixa taxa de natalidade, o alto custo de vida na Flórida – que expulsa famílias da região –, a redução da imigração e a concorrência de outras opções educacionais, como as escolas particulares e charter.
As 10 escolas na mira do fechamento
A lista divulgada pelo distrito inclui escolas de diferentes cidades de Broward. Confira quais são:
- Banyan Elementary School (Coral Springs)
- Coral Springs Elementary School (Coral Springs)
- Silver Lakes Elementary School (Miramar)
- Dolphin Bay Elementary School (Miramar)
- Hollywood Park Elementary School (Hollywood)
- Lloyd Estates Elementary School (Oakland Park)
- Oakridge Elementary School (Hollywood)
- Forest Glen Middle School (Coral Springs)
- Walter C. Young Middle School (Pembroke Pines)
- William Dandy Middle School (Fort Lauderdale)
As escolas de ensino fundamental são as mais numerosas na lista, mas três escolas de ensino médio (middle schools) também estão ameaçadas. Para as famílias brasileiras, o fechamento pode significar a transferência para uma escola mais distante, alteração no horário de transporte escolar e a necessidade de adaptação a um novo ambiente.
Reações: entre a dor e a esperança de melhoria
Na reunião do conselho escolar realizada na terça-feira, a presidente do conselho, Sarah Leonardi, reconheceu o impacto emocional da decisão. “Ninguém nesta mesa quer machucar as comunidades que representamos. Todos aqui entendem que este é um processo extremamente doloroso para todos os envolvidos”, afirmou.
Pais de alunos se manifestaram. Alberto Entrena, pai de aluno da Hollywood Park Elementary, defendeu a escola: “O que existe na Hollywood Park é mais do que um prédio, é uma cultura de excelência – os professores, a equipe, o programa; você sente o compromisso todos os dias”, disse durante a reunião.
Por outro lado, houve relatos positivos de quem já passou pelo processo de consolidação. Jenna Williams, mãe de um aluno que teve a escola anterior fechada e incorporada a outra unidade, contou que a experiência melhorou: “A turma do meu filho é menor e este ano eles têm aula de educação física, música, arte e uso de mídia”, afirmou.
Fechar 10 é pouco? Membro do conselho quer 27
O conselheiro Allen Zeman foi além: defende o fechamento de 27 escolas, não apenas 10. Segundo ele, com 171 escolas totalmente abastecidas de recursos, o distrito poderia oferecer um ensino de melhor qualidade. Zeman ainda propõe que os terrenos das escolas fechadas sejam usados para construir moradias populares e para a força de trabalho – uma estratégia que, na sua visão, pode aumentar a população estudantil no longo prazo. “Construir moradias acessíveis em terrenos do distrito é a melhor maneira de aumentar as matrículas no futuro”, disse.
Próximos passos: o que as famílias devem fazer
O conselho escolar não votou nada na terça-feira. O processo está apenas começando. A votação sobre o plano de consolidação está prevista para dezembro. Até lá, o distrito deve realizar audiências públicas e receber contribuições da comunidade. Para as famílias brasileiras com filhos nas escolas listadas, o momento é de atenção:
- Acompanhe o site oficial do distrito (browardschools.com) para calendário de audiências e atualizações.
- Participe das reuniões do conselho escolar e das audiências públicas para expressar sua opinião.
- Converse com a direção da escola sobre o plano de transição e possíveis opções de matrícula.
- Prepare-se para a possibilidade de rematrícula em outra escola a partir do próximo ano letivo.
O que esperar até dezembro
Até a votação em dezembro, o debate promete ser intenso. O conselho escolar já sinalizou que a decisão será baseada em critérios de eficiência financeira e qualidade educacional, mas a pressão das comunidades afetadas pode levar a ajustes na lista final. Para as famílias brasileiras que escolheram Broward para viver e estudar, o desfecho deste processo pode determinar não apenas a escola dos filhos, mas também o orçamento familiar – com possíveis gastos extras com transporte ou mudança de endereço. O distrito, por sua vez, aposta na consolidação como caminho para oferecer mais recursos a cada aluno. Resta saber se a economia de custos compensará o desgaste emocional de fechar portas que, para muitos, são a porta de entrada para o sonho americano.



