A WNBA está prestes a iniciar um novo capítulo. Cathy Engelbert, comissária da liga desde 2019, anunciou que deixará o cargo no fim de dezembro, encerrando uma gestão de mais de sete anos que foi ao mesmo tempo transformadora e turbulenta. A notícia, divulgada pela própria liga, pega o basquete feminino em um momento de crescimento, com novos direitos de transmissão e planos de expansão, mas também com desafios internos ainda não resolvidos.
Para os brasileiros que vivem nos Estados Unidos e acompanham o basquete feminino, a mudança no comando da WNBA pode ter impactos indiretos — desde a continuidade de políticas que favorecem a visibilidade global da liga até a possível aceleração de investimentos em mercados internacionais. Embora a notícia não exija ação imediata, ela sinaliza um momento de transição em uma das ligas esportivas femininas mais influentes do mundo.
Uma gestão marcada por contrastes
Engelbert assumiu o cargo em 2019, vinda do mundo corporativo — foi CEO da Deloitte — e com a missão de profissionalizar e expandir a WNBA. Durante seu mandato, a liga conseguiu avanços históricos: um novo acordo coletivo de trabalho que elevou salários mínimos e benefícios para as jogadoras, a implementação gradual de voos charter para todos os times, e a negociação de um pacote de direitos de mídia que multiplicou a receita. Além disso, a WNBA ganhou novas franquias, com a chegada do Golden State Valkyries em 2025 e a confirmação de uma equipe em Toronto para 2026.
Essas transformações, no entanto, ocorreram em meio a crises. A pandemia de covid-19 forçou a liga a realizar uma temporada segura em uma bolha em Bradenton, Flórida, em 2020, ao mesmo tempo em que as jogadoras lideravam protestos contra a violência racial e cobravam posicionamento da liga. Mais recentemente, Engelbert enfrentou críticas por sua postura em relação a questões de segurança das atletas, como a demora na garantia de voos charter e a falta de apoio em casos de assédio.
O legado para o basquete feminino e para a torcida brasileira
Para os fãs brasileiros que moram nos EUA, a WNBA cresceu em visibilidade durante a gestão de Engelbert. A liga passou a ter mais jogos transmitidos nacionalmente, expandiu sua presença digital e atraiu um público mais jovem e diverso. Jogadoras brasileiras, como a pivô Damiris Dantas (que atuou pelo Minnesota Lynx e Atlanta Dream), também se beneficiaram do ambiente de maior investimento, embora a presença brasileira na liga ainda seja limitada.
Engelbert deixa a liga com números que falam por si: a WNBA registrou recordes de audiência na última temporada, o valor das franquias disparou e o salário médio das jogadoras mais que dobrou desde 2019. No entanto, a relação com o sindicato das atletas continuou tensa, especialmente em torno de questões como a igualdade de investimento em relação à NBA e a segurança das viagens.
O que esperar da próxima comissária
A WNBA já iniciou o processo de busca por um novo CEO ou comissário. O perfil do sucessor ou sucessora deverá equilibrar a continuidade do crescimento financeiro com a capacidade de ouvir e dialogar com as jogadoras, que se tornaram cada vez mais protagonistas nas decisões da liga. Entre os desafios imediatos estão a conclusão do novo acordo de direitos de mídia, a implementação plena dos voos charter e a consolidação das novas franquias.
Analistas esportivos apontam que a escolha pode influenciar diretamente a estratégia de internacionalização da WNBA — um ponto relevante para brasileiros que sonham em ver a liga mais presente no país, seja com jogadoras, jogos ou acordos de transmissão. Enquanto isso, a torcida brasileira nos EUA continuará acompanhando de perto os desdobramentos, torcendo para que o legado de crescimento iniciado por Engelbert se mantenha e se aprofunde.
Despedida e próximos passos
Cathy Engelbert afirmou que pretende se dedicar a projetos pessoais e ao conselho de administração de algumas empresas. Sua saída está prevista para o dia 31 de dezembro, e até lá ela permanecerá à frente das operações diárias da liga. Em comunicado, Engelbert agradeceu às jogadoras, comissões técnicas e fãs, destacando o orgulho de ter liderado a WNBA em um período de tantas mudanças.
Para a comunidade brasileira que vive nos EUA, a notícia serve como um lembrete de que o basquete feminino está vivo e em evolução. Mesmo sem um impacto direto no cotidiano, a aposentadoria de Engelbert encerra um ciclo que aproximou a WNBA de um patamar mais profissional e global, abrindo caminho para que a próxima geração de comissários possa — quem sabe — trazer ainda mais oportunidades para atletas e fãs brasileiros.



