O dólar comercial abriu a sessão desta sexta-feira (25) em queda de 0,21%, cotado a R$ 5,1823 por volta das 9h (horário de Brasília). O movimento reflete, principalmente, o alívio no comércio global após a reunião entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, na quinta-feira (24), na Casa Branca. Para os brasileiros que moram nos Estados Unidos e enviam dinheiro ao Brasil, a notícia tem um efeito direto: cada dólar remetido agora vale menos reais, reduzindo o poder de compra das famílias que recebem essas transferências.

Trégua comercial de dois meses acalma mercados

Na quarta-feira, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que EUA e China concordaram em estender por dois meses a trégua comercial que expiraria em 10 de novembro. O acordo permanece em vigor até janeiro, dando mais tempo para negociações mais amplas. A notícia foi recebida com otimismo pelos investidores, que temiam uma escalada tarifária entre as duas maiores economias do mundo.

Durante a reunião na Casa Branca, Xi Jinping declarou que os dois países “alcançaram um entendimento comum em muitas questões” e que devem encontrar novas formas de entendimento. Entre os temas discutidos estavam tarifas, terras raras, compras de produtos agrícolas, inteligência artificial, chips, aviação e investimentos, além de questões geopolíticas como Taiwan e Irã.

Trump, por sua vez, afirmou manter “uma verdadeira amizade” com Xi, “baseada no respeito mútuo e no interesse do nosso povo”. Os dois líderes sinalizaram que pretendem cooperar para um “futuro comum”, embora Xi tenha reconhecido a rivalidade entre as potências e pedido que evitem um confronto direto.

Petróleo em baixa alivia pressão inflacionária

As tensões no Oriente Médio também deram uma trégua. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou na quinta-feira que os EUA devem decidir se querem encerrar a guerra e que o Irã não deseja a continuidade do conflito. O discurso mais ameno fez os preços do petróleo recuarem. Perto das 15h30 (horário de Brasília) de quinta, o barril do Brent, referência internacional, caía 0,97%, cotado a US$ 105,57. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, recuava 1,80%, a US$ 92,91 o barril.

A queda do petróleo tende a reduzir custos de transporte e produção, o que pode ajudar a conter a inflação global e, por tabela, pressionar menos o câmbio. No Brasil, a prévia da inflação oficial (IPCA-15) de setembro deve ser divulgada ainda hoje, com expectativa de alta puxada pela reversão do Bônus de Itaipu nas tarifas de energia elétrica e uma queda menor nos preços da gasolina.

Eleições e dados fiscais no radar interno

No cenário doméstico, os investidores acompanham o debate com candidatos ao Senado por São Paulo, promovido pelo g1 às 13h desta sexta-feira, com mediação da jornalista Ana Paula Campos. O evento, transmitido ao vivo no site e nas redes sociais, pode influenciar as expectativas sobre o rumo da política fiscal e econômica do Brasil, especialmente em relação a reformas e controle de gastos.

A Bolsa de Valores brasileira (Ibovespa) começa a operar às 10h, horário de Brasília. No acumulado do mês, o índice registra alta de 3,69% e, no ano, sobe 14,18%. Já o dólar, apesar da queda de hoje, acumula ganho de 0,95% na semana e de 0,26% no mês. No acumulado de 2023, a moeda americana recua 5,39% frente ao real.

O que a queda do dólar significa para quem envia dinheiro ao Brasil

Para a comunidade brasileira nos Estados Unidos, a cotação do dólar é um termômetro direto do valor das remessas. Com o dólar a R$ 5,1823, cada US$ 1.000 enviado ao Brasil rende aproximadamente R$ 5.182 — valor inferior ao de semanas anteriores, quando a moeda chegou a bater R$ 5,40. No acumulado do ano, a desvalorização de 5,39% significa que quem manda dinheiro perdeu, em média, mais de R$ 280 a cada mil dólares enviados desde janeiro.

Essa queda pode ser explicada por uma combinação de fatores: o alívio comercial, a expectativa de que o Federal Reserve (banco central americano) mantenha juros mais baixos, e a perspectiva de que o Brasil continue atraindo investimentos estrangeiros. Especialistas apontam que, se a trégua comercial se consolidar e as tensões geopolíticas diminuírem, o dólar pode continuar perdendo valor ante o real.

Para quem depende de remessas para sustentar famílias no Brasil, o momento pede atenção. Pequenas variações na cotação podem fazer diferença no orçamento mensal. A recomendação de analistas é acompanhar o câmbio diariamente e, se possível, realizar transferências em dias de alta do dólar. Algumas plataformas de câmbio oferecem ferramentas de trava de cotação, que permitem garantir uma taxa favorável por um período.

Próximos passos no cenário cambial e comercial

A extensão da trégua comercial até janeiro dá fôlego para novas rodadas de negociação entre EUA e China. No entanto, questões estruturais, como o acesso a tecnologias sensíveis (chips, inteligência artificial) e a disputa por terras raras, continuam sem solução definitiva. Analistas alertam que qualquer ruptura nas conversas pode reverter rapidamente a calma nos mercados.

No Brasil, a atenção se volta para os números do IPCA-15 e para o desenrolar das eleições, que podem influenciar a política econômica nos próximos meses. A combinação de inflação controlada, juros elevados e câmbio estável tende a manter o real valorizado. Por ora, a tendência é de que o dólar permaneça abaixo dos R$ 5,30, mas o cenário global — com guerras comerciais e conflitos geopolíticos — exige cautela de quem precisa enviar dinheiro ao Brasil.