O Departamento do Trabalho dos EUA divulgou novas projeções oficiais sobre o mercado de trabalho para os próximos dez anos. O relatório detalha quais ocupações devem crescer mais rapidamente e quais estão em declínio, com impacto direto nas decisões de carreira de milhões de trabalhadores — incluindo os brasileiros que vivem nos Estados Unidos. A previsão cobre o período até 2034 e é baseada em tendências demográficas, tecnológicas e econômicas.
Os empregos que mais vão crescer: saúde, tecnologia e energia limpa
Segundo os números federais, o maior crescimento absoluto de vagas está concentrado em três grandes áreas: saúde (especialmente enfermagem e assistência domiciliar), tecnologia da informação (desenvolvimento de software, cibersegurança e análise de dados) e energias renováveis (instalação de painéis solares, manutenção de turbinas eólicas). A demanda é impulsionada pelo envelhecimento da população americana e pela aceleração da transição energética e da digitalização.
Para os brasileiros que já trabalham ou pretendem ingressar nesses setores, a notícia é animadora. Enfermeiros práticos (LPNs) e auxiliares de enfermagem, por exemplo, devem ver um aumento de mais de 20% nas vagas até 2034. Na área de TI, o crescimento de empregos para desenvolvedores de software e especialistas em segurança digital supera 25%. Profissões ligadas à instalação de energia solar crescerão ainda mais rápido, com projeção de alta superior a 30%.
Os setores que encolhem: comércio tradicional, manufatura e trabalho administrativo
Do outro lado da balança, o relatório federal indica que as ocupações com maior queda de vagas estão no varejo tradicional (caixas de supermercado, vendedores de loja), na manufatura (operadores de máquinas, montadores) e em funções administrativas repetitivas (secretárias, arquivistas). A automação e o comércio eletrônico são os principais responsáveis por esse encolhimento.
Essas áreas, historicamente, empregavam muitos imigrantes brasileiros sem diploma superior. Quem hoje trabalha como caixa, repositor ou em linha de montagem precisa se preparar para a transição. A recomendação de especialistas é buscar requalificação em cursos técnicos rápidos — muitos oferecidos por community colleges — nas áreas que estão em alta.
O que muda para brasileiros nos EUA: três passos práticos para se preparar
- Identifique as ocupações em crescimento na sua região — as projeções estaduais e metropolitanas estarão disponíveis no site do Bureau of Labor Statistics (bls.gov) a partir de 2025. Dê prioridade a áreas com demanda local, como saúde na Flórida ou tecnologia no Texas.
- Invista em cursos de curta duração reconhecidos: community colleges e programas de certificação em enfermagem, soldagem para energia eólica, desenvolvimento web ou cibersegurança custam menos que uma faculdade e podem ser concluídos em 6 a 12 meses.
- Atualize seu perfil profissional: mesmo que você não mude de área, aprender inglês técnico e ferramentas digitais (como planilhas, CRM ou software de gestão) aumenta sua empregabilidade. Muitas organizações comunitárias oferecem esses treinamentos gratuitamente, como a Brazilian Worker Center em Massachusetts.
Próximos passos: como usar os dados a seu favor
As projeções do Departamento do Trabalho serão atualizadas anualmente, mas a direção já está clara: os empregos do futuro exigirão mais qualificação técnica e habilidades digitais. Para os brasileiros que vivem nos EUA, o momento é de investir em educação continuada e buscar orientação em organizações locais que ajudam imigrantes na transição de carreira. A boa notícia é que muitos dos setores que mais crescem — como enfermagem e instalação solar — oferecem salários iniciais que podem chegar a US$ 50 mil por ano, com possibilidade de progressão.
Com planejamento e informação, é possível não apenas evitar as áreas em declínio, mas construir uma trajetória profissional sólida e alinhada às necessidades do mercado americano da próxima década.



