Os motoristas que encheram o tanque em Massachusetts no último final de semana do Dia do Trabalho (Labor Day) pagaram, em média, mais de US$ 1 por galão do que no mesmo feriado de 2023. O aumento, confirmado por levantamentos de preços, acendeu o alerta na comunidade brasileira da região, que depende fortemente do transporte individual para trabalhar, estudar e realizar tarefas cotidianas.

O que está por trás do salto de mais de US$ 1 no preço?

Embora o dado exato do preço médio praticado no feriado não tenha sido divulgado no material disponível, especialistas apontam que a alta reflete uma combinação de fatores globais e sazonais. O petróleo bruto, que responde por cerca de metade do custo da gasolina, manteve-se em patamares elevados ao longo do verão americano, puxado por cortes na produção da Opep e pela forte demanda de viagens. Além disso, refinarias na Costa Leste enfrentaram paradas programadas para manutenção, reduzindo a oferta de combustível justamente no período de pico.

Em Massachusetts, a situação é agravada por impostos estaduais sobre combustíveis, que estão entre os mais altos do país. O imposto estadual sobre a gasolina é de US$ 0,24 por galão, valor que não mudou desde 2013, mas que, somado ao aumento da base de preço, resulta em um custo final mais pesado para o consumidor.

Como o preço mais alto afeta a vida dos brasileiros em Massachusetts

Para a comunidade brasileira concentrada em cidades como Framingham, Marlborough, Everett e Boston, o carro não é luxo, mas necessidade. Muitos trabalham em serviços de entrega, limpeza, construção civil ou saúde, e dependem de deslocamentos diários que podem ultrapassar 80 quilômetros. Um aumento de US$ 1 por galão significa um custo extra de US$ 12 a US$ 15 por abastecimento, dependendo do tamanho do tanque. Para quem enche o tanque duas vezes por semana, o gasto adicional pode chegar a US$ 120 por mês — dinheiro que faz falta no orçamento familiar.

Além do impacto direto no bolso, o preço elevado da gasolina pressiona outros setores. Produtos de supermercado, passagens de ônibus e até serviços de transporte por aplicativo tendem a ficar mais caros quando o combustível sobe. Para brasileiros que enviam remessas para o Brasil, a conta fica ainda mais apertada.

Dicas para gastar menos combustível no dia a dia

  • Mantenha os pneus calibrados: pneus murchos aumentam o atrito e o consumo em até 3%.
  • Evite acelerações e frenagens bruscas; dirigir de forma suave pode economizar até 20% na estrada.
  • Retire o excesso de peso do porta-malas; cada 45 kg extras elevam o gasto em cerca de 1%.
  • Use o ar-condicionado com moderação em velocidades baixas; em rodovias, janelas abertas aumentam o arrasto e o consumo.
  • Combine tarefas em uma mesma saída para evitar viagens curtas e a frio, que consomem mais.
  • Considere aplicativos de carona ou transporte público para trechos regulares, dividindo o custo do combustível.

O que esperar para os próximos meses

Historicamente, os preços da gasolina tendem a cair após o fim do verão, com a redução da demanda por viagens e a volta à gasolina de inverno, mais barata de produzir. No entanto, analistas alertam que o cenário global de incertezas — guerra na Ucrânia, sanções ao petróleo russo e possíveis furacões no Golfo do México — pode manter os preços elevados por mais tempo. Enquanto isso, a recomendação para os brasileiros em Massachusetts é planejar os deslocamentos, buscar alternativas de transporte e ficar de olho em postos com preços mais competitivos, especialmente em áreas de maior concorrência.

O aumento de mais de US$ 1 no Labor Day serve como lembrete de que a gasolina continua sendo um dos maiores pesos no orçamento das famílias que moram longe dos grandes centros. Para a comunidade brasileira, que muitas vezes acumula jornadas duplas de trabalho e longas distâncias, cada centavo no tanque faz diferença.