Eleitores de seis estados americanos vão às urnas nesta terça-feira para escolher candidatos que disputarão cargos no Executivo e no Legislativo. A movimentação ocorre em Wisconsin, Minnesota, Alabama, Connecticut, Vermont e Carolina do Sul, estados com perfis políticos bem distintos e que, juntos, ajudam a desenhar o cenário das próximas eleições. Para a comunidade brasileira que vive nos Estados Unidos, o resultado interessa não porque decida diretamente qualquer política migratória, mas porque define quem estará nos cargos que vão propor, aprovar ou vetar leis sobre imigração e tributação nos próximos anos.
O que está em jogo nas urnas de hoje
As primárias são o mecanismo pelo qual os partidos definem seus candidatos oficiais. Em Wisconsin e Minnesota, os olhos estão voltados para as disputas locais que podem testar o eleitorado do meio-oeste, enquanto Alabama e Carolina do Sul trazem um eleitorado mais conservador, tradicionalmente decisivo nas prévias presidenciais. Já Connecticut e Vermont, no Nordeste, costumam ter eleitores com perfil mais progressista. Essa diversidade de cenários faz com que a noite de hoje funcione como um termômetro do humor do eleitorado americano em relação a temas como economia, saúde e, principalmente, imigração.
A CBS News destacou que repórteres como Taurean Small, Jonah Kaplan, Mark Strassmann e Anthony Salvanto estão acompanhando a apuração e as movimentações nesses estados. O fato de a imprensa nacional dar atenção às primárias de hoje reforça a importância estratégica desses seis estados para o desenho da disputa geral, mesmo que nenhum deles sozinho tenha o poder de decidir a eleição presidencial antecipadamente.
Por que brasileiros nos EUA devem prestar atenção
Para os brasileiros residentes nos Estados Unidos, o efeito direto das primárias é pequeno no curto prazo. Nenhum dos candidatos que avançarem hoje vai, imediatamente, alterar uma regra de visto ou de tributação. Mas o impacto indireto pode ser significativo no médio prazo. Os candidatos que vencerem hoje vão compor as chapas partidárias e os quadros legislativos que estarão no poder nas próximas eleições. São esses mesmos políticos que vão decidir, por exemplo, se o Congresso deve aprovar reformas no sistema de green cards, se deve ampliar ou restringir vistos de trabalho, ou se estados devem avançar com políticas próprias de taxação de renda para imigrantes.
No caso específico dos impostos, as primárias também têm relevância indireta. Muitos dos candidatos que disputam hoje vão defender plataformas de redução ou ampliação de tributos, e a posição de cada um pode depender de quão alinhado o eleitorado local estiver com propostas de corte de gastos ou de investimento social. Para brasileiros que vivem nos EUA com visto de trabalho ou com negócios próprios, essa disputa pode significar, mais adiante, um ambiente mais ou menos favorável para empreender ou para manter remessas de dinheiro ao Brasil.
Os desafios de votar morando fora de casa
Brasileiros que se tornaram cidadãos americanos e estão aptos a votar precisam lembrar que as regras de votação variam de estado para estado. Em Wisconsin, por exemplo, é necessário apresentar um documento de identificação com foto para votar. Em Minnesota, a participação nas primárias costuma ser alta, e o eleitor precisa se filiar a um partido ou pedir a cédula correto na hora. Já em estados como Alabama e Carolina do Sul, as regras de identificação são mais rígidas, e o não cumprimento pode impedir a votação.
Quem estiver em Connecticut e Vermont também deve ficar atento ao horário: as seções eleitorais fecham cedo, e atrasos podem custar o voto. Além disso, alguns estados permitem votação antecipada ou envio de cédula pelo correio sem justificativa, enquanto outros exigem justificativa para votar fora da seção eleitoral. A recomendação é sempre confirmar o local de votação e os documentos aceitos no site oficial do secretário de estado local, evitando surpresas no dia.
Como acompanhar a apuração e o que esperar dos resultados
Os primeiros resultados devem sair assim que as urnas fecharem, ainda na noite de terça-feira. A CBS News, com equipes de repórteres em campo e o analista Anthony Salvanto à frente das pesquisas de boca de urna, deve projetar os vencedores com base nos dados de votação antecipada e nas zonas eleitorais mais representativas. Para quem estiver nos EUA, a dica é acompanhar os canais oficiais dos partidos e as plataformas de resultado da imprensa americana, que costumam atualizar em tempo real o cenário de cada estado.
Não há, nesta etapa, surpresas como um segundo turno em todos os estados. Mas é possível que, em algumas disputas locais, não haja maioria absoluta e o nome do candidato saia apenas depois da contagem final. Em cenários assim, os brasileiros que acompanham de perto a política local devem ter paciência: é normal que contagens apertadas demorem alguns dias para serem resolvidas, e demora não significa fraude, mas sim o rigor do processo eleitoral americano.



