25 anos depois, TSA reabre os portões para acompanhantes
Pela primeira vez desde os atentados de 11 de setembro de 2001, a Administração de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (TSA) está autorizando o acesso de acompanhantes sem bilhete aéreo aos portões de embarque dos aeroportos do país. A mudança foi confirmada pela agência nesta semana, quando se completam 25 anos dos ataques que mataram quase 3 mil pessoas e transformaram radicalmente a segurança da aviação civil.
A decisão da TSA representa um recomeço tímido, mas simbólico. Antes do 11 de setembro de 2001, era comum que familiares e amigos acompanhassem passageiros até o portão de embarque, uma tradição que praticamente desapareceu da noite para o dia quando as regras de segurança foram endurecidas. Segundo a TSA, a medida é “um começo para reviver essa tradição”, embora o acesso ainda seja restrito e controlado.
Acesso restrito: quem pode entrar sem passagem?
A agência foi clara: o acesso não será liberado para todos. A permissão vale apenas para “algumas pessoas” e, ao menos por enquanto, não se trata de uma reabertura geral dos portões para qualquer acompanhante. A TSA não detalhou publicamente quais critérios definem quem pode solicitar a entrada, mas especialistas em segurança aeroportuária apontam que a medida pode beneficiar, por exemplo, passageiros idosos que precisam de assistência, menores desacompanhados, pessoas com deficiência ou viajantes que necessitam de apoio emocional.
Na prática, quem quiser levar um acompanhante até o portão deve verificar diretamente com a companhia aérea e com a administração do aeroporto se o programa está disponível naquele terminal. O acompanhante precisará passar pelo raio-X e por uma verificação de identidade, assim como os passageiros com bilhete. A TSA informou que a segurança continua sendo a prioridade e que os agentes podem negar o acesso a qualquer momento.
Retomada de uma tradição que desapareceu com o 11/9
Antes dos atentados, os portões de embarque nos aeroportos dos EUA eram espaços abertos, onde qualquer pessoa – mesmo sem passagem – podia circular livremente, comprar um café, esperar um voo ou se despedir de um ente querido. A partir de 11 de setembro de 2001, essa liberdade foi abruptamente restringida. As áreas após o controle de segurança passaram a ser acessíveis apenas a passageiros com cartão de embarque validado.
Ao longo das últimas duas décadas, houve tentativas isoladas de flexibilização, como o programa de “gate passes” para acompanhar crianças ou idosos, mas a norma geral continuava proibindo o acesso. Agora, a TSA dá o primeiro passo concreto para mudar esse cenário. A decisão foi anunciada na mesma semana em que o país relembra os 25 anos do 11/9, data que marca o endurecimento da segurança nos transportes.
Impacto para brasileiros que moram nos EUA
Para os brasileiros que vivem nos Estados Unidos, a mudança pode ter um impacto direto nas viagens em família. Muitos imigrantes brasileiros viajam com frequência entre cidades americanas ou para o Brasil, e a possibilidade de ter um parente ou amigo acompanhando até o portão de embarque – especialmente em aeroportos movimentados como Newark, Miami, Boston e Orlando – facilita encontros, despedidas e a logística de quem precisa de ajuda com bagagens ou crianças.
A medida também pode reduzir a ansiedade de passageiros que viajam sozinhos ou que não dominam o inglês, já que um acompanhante pode ajudar com indicações, tradutores informais e apoio emocional até o último minuto. “Isso vai fazer muita diferença para quem está se mudando ou enviando um filho para estudar. Poder abraçar até o portão é algo que a gente perdeu há 25 anos”, comentou um passageiro brasileiro em Newark, em entrevista à reportagem.
O que muda na prática para o viajante
Embora a TSA ainda não tenha publicado um regulamento completo, algumas orientações já podem ser consideradas por quem pretende levar um acompanhante ao portão de embarque:
- Consulte a companhia aérea antes do voo: cada empresa pode ter regras adicionais sobre quem pode ser acompanhado e como solicitar a autorização.
- Leve documento de identidade oficial com foto: o acompanhante precisará apresentar um documento válido (passaporte, carteira de motorista ou Green Card) para passar pelo controle de segurança.
- Chegue ao aeroporto com antecedência extra: o processo de verificação pode demorar mais, já que os agentes farão checagens adicionais para o acompanhante sem bilhete.
- Esteja ciente de que o acesso pode ser negado: a TSA e a companhia aérea têm a palavra final. Se houver qualquer risco de segurança, o acompanhante não entrará.
- Acompanhantes não podem levar líquidos ou itens proibidos: as mesmas regras de bagagem de mão se aplicam a quem passa pelo raio-X sem passagem.
Próximos passos: o programa deve se expandir?
A TSA classificou a medida como “um começo” e indicou que pode ampliar o programa conforme os resultados iniciais. A agência deve monitorar o impacto na segurança e na fluidez dos terminais antes de liberar o acesso para um público maior. Especialistas ouvidos pela reportagem acreditam que, se a implementação for bem-sucedida, a TSA poderá adotar um modelo mais amplo nos próximos meses, semelhante ao que já existe em aeroportos de países como Canadá, Austrália e alguns da Europa.
Para os brasileiros que viajam com frequência nos EUA, a dica é ficar de olho nos canais oficiais da TSA e das companhias aéreas. Aos poucos, a tradição de levar alguém até o portão – e receber um último abraço antes da decolagem – pode voltar a fazer parte da rotina nos aeroportos americanos.


