O turismo na Flórida registrou queda pelo segundo trimestre consecutivo, pressionado pela inflação persistente e pela reação negativa de visitantes canadenses às tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump. O número de visitantes no segundo trimestre foi estimado em 34,01 milhões, totalizando 73,5 milhões no primeiro semestre de 2025, de acordo com dados do setor de turismo do estado. A retração acende um alerta para a comunidade brasileira que vive e trabalha na Flórida, especialmente nos setores de hospitalidade, serviços e comércio, que dependem fortemente do fluxo de turistas.

Números do turismo na Flórida

Os dados divulgados pelo órgão oficial de turismo da Flórida mostram 34,01 milhões de visitantes no segundo trimestre, contra um total de 73,5 milhões no primeiro semestre. Embora o volume absoluto ainda seja elevado, a queda consecutiva indica perda de fôlego em um dos principais motores da economia local. A Flórida é um dos destinos mais procurados por turistas nacionais e internacionais, com destaque para canadenses — conhecidos como 'snowbirds' — que historicamente passam os meses de inverno no estado.

Inflação e tarifas de Trump pesam

A queda é atribuída a dois fatores principais: a inflação, que encarece passagens aéreas, hospedagem e alimentação; e as tarifas de Trump sobre o Canadá. Em março, o presidente anunciou uma tarifa adicional de 50% sobre determinados produtos canadenses, gerando indignação entre os viajantes do país vizinho. Embora a medida tenha sido suspensa temporariamente por três dias após negociações de última hora, o mal-estar já afetou a percepção do destino entre os canadenses. Segundo a US Travel Association, uma redução de 10% nas viagens do Canadá aos Estados Unidos poderia resultar em perda de US$ 2,1 bilhões em despesas e 14 mil empregos no setor de turismo americano. A inflação, por sua vez, desencoraja viagens de lazer e reduz o gasto médio dos turistas.

O que muda para você

Para os brasileiros que vivem na Flórida, a queda no turismo representa menos oportunidades de trabalho temporário e permanente em hotéis, restaurantes, parques temáticos e lojas. Muitos imigrantes brasileiros dependem da alta temporada — especialmente o inverno americano e as férias de verão — para complementar a renda. Com menos visitantes, a procura por mão de obra cai, e a concorrência por vagas aumenta. Além disso, a inflação local já corrói o poder de compra, tornando o cenário mais desafiador para quem precisa sustentar a família ou enviar remessas ao Brasil.

O que fazer agora

  • Diversifique fontes de renda: busque empregos em áreas menos dependentes do turismo, como saúde, tecnologia, construção civil ou delivery.
  • Atualize seu currículo e cadastre-se em sites de vagas locais, como Indeed e LinkedIn, além de grupos de WhatsApp e Facebook voltados para a comunidade brasileira.
  • Verifique se você tem direito a benefícios como seguro-desemprego (unemployment insurance) caso seja demitido ou tenha horas reduzidas.
  • Participe de associações de imigrantes e redes de apoio, como a Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida, para networking e recolocação.
  • Acompanhe as notícias sobre as tarifas comerciais e a retomada do turismo canadense — a suspensão temporária pode ser revertida, gerando novas quedas ou recuperação.

Perspectivas futuras

A tendência de queda no turismo da Flórida deve continuar enquanto a inflação não ceder e as relações comerciais com o Canadá não se estabilizarem. A suspensão temporária das tarifas de 50% trouxe alívio parcial, mas o clima de incerteza ainda pesa sobre o setor. Para a comunidade brasileira, o momento pede cautela e planejamento financeiro — manter uma reserva de emergência e estar aberto a mudanças de carreira pode fazer a diferença nos próximos meses.